Anuário da Indústria de Implementos Rodoviários 2023

23 Ao divulgar em janeiro a visão da entidade para o ano, o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, disse que torcia para que as projeções iniciais se mostrassem erradas: “Espero que façamos revisões para cima ao longo do ano e que possamos voltar ao mercado interno da ordem de 2,8 milhões de emplacamentos conquistados em 2019. Mas a princípio somos conservadores”. Para garantir investimentos em produção local, a Anfavea iniciou 2023 negociando uma pauta prioritária com o governo, cujos pontos principais são reindustrialização e fortalecimento da cadeia de suprimentos, descarbonização (eletrificação, biocombustíveis, gás), renovação da frota e inspeção veicular, além de estímulo à P&D, retomada das vendas a prazo, redução do custo Brasil e também do custo tributário, entre outros itens. Também a Fenabrave levou em conta as elevadas taxas de juros e a alta da inadimplência, assim como o crescimento da renda mais limitado em 2023, para fechar as cautelosas projeções deste ano. “Se não tiver nenhuma novidade, repetir os números de 2022 já será um bom resultado”, comentou o presidente da entidade, José Maurício Andreta Jr. “Ainda há indefinições e precisamos aguardar os próximos meses”, comentou o executivo, referindo-se à troca da equipe econômica a partir de um novo governo. Carga tributária Assim como a Anfavea e a Fenabrave, também o Sindipeças admite que poderá alterar projeções ao longo do ano. A entidade estima, a princípio, um aumento de 6% no faturamento da indústria de autopeças, para R$ 202,7 bilhões. Cláudio Sahad, presidente do Sindipeças, diz que o setor segue firme na busca pela recuperação dos impactos da pandemia de covid-19 e da falta de semicondutores, dentre outros. Ele destaca, contudo, que o Brasil, como acontece no México, poderia estar sendo favorecido pela reorganização das cadeias globais de fornecimento, o chamado nearshoring, isto é, a busca das empresas por diversificar seus fornecedores e trazê-los para mais perto dos principais mercados. “Neste contexto, gostaria de destacar alguns fatores que afetam grandemente a competitividade de todos os setores da indústria nacional. Primeiramente, a questão tributária: nossa carga é de 33%, contra 18% no México. Além disso, precisamos trabalhar no combate à corrupção, na melhoria da segurança jurídica e nos investimentos em infraestrutura para escoar a produção da indústria de forma competitiva”, destacou Sahad. Entre outras projeções, o Sindipeças aposta em vendas externas em torno de US$ 8,5 bilhões, crescimento de 6,3%, e importações próximas de US$ 17,5 bilhões, decréscimo de 12,1%. © Sindipeças Cláudio Sahad, presidente do Sindipeças

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