ISSN 2236-2096
Anuário da Indústria de Implementos Rodoviários Brazilian Road Implements Industry Yearbook Anuario de la Industria Brasileña de Implementos Viales ISSN 2236-2096 uma publicação da | published by | una publicación de ANFIR - Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários Rua Conselheiro Saraiva, 306 Conjunto 55 - Santana 02037-020 - São Paulo - SP - Brasil Tel. +55 11 2972-5577 Escritório em Brasília SAS, Quadra 1, Bloco N - Edifício Terra Brasilis, salas 905/906 70070-010 - Brasília - DF - Brasil www.anfir.org.br
Diretoria | Board of Directors | Directores Presidente | President | Presidente Alcides Geraldes Braga (Truckvan) 1º vice-presidente | 1st vice-president | 1er vice-presidente Norberto Fabris (Randon) 2º vice-presidente | 2nd vice-president | 2do vice-presidente José Carlos Vidoti (Facchini) 3º vice-presidente | 3rd vice-president | 3er vice-presidente José Carlos Spricigo (Librelato) Tesoureiro | Treasurer | Tesorero Leonardo Toigo Rossetti (Rossetti) Conselho de Administração | Management Board | Consejo Administrativo Presidente | President | Presidente Kimio Mori (Noma) Conselheiros | Directors | Consejeros Lauro Pastre Junior (Pastre) José Carlos Vidoti (Facchini) Emilio Medeiros (Fibrasil) Roberto Vergani (Guerra) Fabian Lisboa Marcon (Kronorte) José Carlos Spricigo (Librelato) Norberto Fabris (Randon) Leonardo De Vincenzo Filho (Rodofort) Leonardo Toigo Rossetti (Rossetti) Alcides Geraldes Braga (Truckvan) Unirio Nestor Dalpiaz (Linshalm) Devanir Martins da Costa (Ibiporã) Conselho Fiscal | Audit Committee | Consejo Fiscal Conselheiros | Directors | Consejeros Heberson Cosso (Labor) Valeri Antonio Pertile (Rodotécnica) Clóvis Coletta Caram (Tankar) Gelson Susin (Dambroz) Diretor Executivo | Executive Director | Director Ejecutivo Mário Rinaldi DIRETORIA - 2015/2018 BOARD - 2015/2018 | DIRECTORES - 2015/2018
6 Palavra do Presidente Primeiras luzes no fim do túnel 10 A worl from the President First lights at the end of the tunnel 12 Palabras del Presidente Las primeras luces al final del túnel 13 Editorial Prontos para a relargada 14 From the Editors Ready for re-launch 15 Editorial ¡Una vez más, listos! 15 Conjuntura Pequenos passos adiante 18 The business Small steps forwards 27 Contexto econômico Pequeños pasos adelante 32 Exportações A roda começou a girar 36 Exports The wheel turns 40 Exportaciones La rueda empezó a girar 42 e-Commerce Leves como protagonistas 44 e-Commerce Light trucks lead the way 48 e-Commerce Livianos protagonistas 49 Financiamentos Ferramenta de planejamento 50 Financing Planning tool 56 Financiaciones Herramienta de planificación 57 Tecnologia Evolução da espécie 58 Technology Evolution of the species 62 Tecnología Evolución de la especie 64 Legislação Certo mesmo é andar na linha 66 Legislation Toe the line 70 Legislación Portarse bien siempre fue lo mejor 71 ÍNDICE INDEX | ÍNDICE © Kydriashka | Dreamstime.com®
7 Tributos Gerir bem tributos é dinheiro no caixa 72 Taxes Good tax management makes savings 74 Tributos Administrar bien tributos es dinero en caja 75 Gestão Profissionalização e sucessão 76 Management Professionalization and succession 80 Gestión Profesionalización y sucesión 81 Fenatran Esperança e palco renovados 82 Fenatran Renewed hope and opportunity 86 Fenatran Esperanza y palco renovados 87 Artigo Uma alternativa possível 90 Article A possible alternative 96 Artículo Una alternativa posible 98 Panorama Implementos rodoviários em números Overview Road implements in numbers Visión general Los números de la industria de implementos viales 100 Empresas associadas O mapa da Indústria Brasileira de Implementos Rodoviários Member companies Map of the Brazilian Road Implements Industry Empresas asociadas El mapa de la Industria Brasileña de Implementos Viales 111 Entidades Entidades brasileiras de relacionamento do setor Entities Brazilian road implements industry network Entidades Entidades brasileñas de contacto en el sector 166 Anunciantes Empresas que prestigiam e viabilizam a realização desta edição Advertisers The companies that have made this issue possible Anunciantes Las empresas que dan prestigio y permiten la realización de esta edición 169 © N.I. | Dreamstime.com®
10 PALAVRA DO PRESIDENTE A WORD FROM THE PRESIDENT | PALABRAS DEL PRESIDENTE Primeiras luzes no fim do túnel © Zooropa | Dreamstime.com®
11 Depois de dois anos consecutivos de queda nos negócios as primeiras luzes da recuperação já poderão ser vistas ainda em 2017. A estimativa da ANFIR para este ano é de retomada na atividade da ordem de 10%. Pode parecer pouco diante da retração acumulada, mas, como se sabe, enquanto as quedas são rápidas as ascensões são sempre mais lentas. Essa perspectiva de retomada depois de dois anos de cenário adverso não se trata de exercício de otimismo. Baseia-se na análise do quadro que teremos em 2017 e que sugere não ser absurdo imaginarmos o princípio de um período mais favorável. Um dos sinais que apontam na direção de um ano melhor que os dois anteriores é a própria coordenação da política econômica. A condução das diretrizes para o desenvolvimento do País está em mãos firmes, avessas a malabarismos e bem assentadas na meta de tirar a economia do marasmo. Já se observa a volta da confiança, mesmo que, em termos práticos, alguns negócios ainda demorem para se concretizar. Já trabalhamos com condições mais realistas no crédito, ainda que, sabemos bem, os custos tenham que recuar bastante. Mas com as perspectivas positivas de redução da inflação e das taxas Selic e TJLP, acreditamos que isso acontecerá e, como consequência, haverá maior previsibilidade para os investimentos. Nós da indústria estamos fazendo nossa parte. Depois de promovermos diversos ajustes para adequar os custos à realidade, procuramos abrir mais nossos horizontes comerciais. Dessa visão resultou o primeiro acordo setorial da ANFIR com a Apex-Brasil e inúmeros contatos com empresas do Chile, Colômbia, Peru, dentre outros países da América Latina. A criação desse relacionamento com parceiros latino-americanos resultará em mais negócios em 2017, um alívio para o caixa de nossos associados com perfil exportador. Outro fato importante que, com certeza, animará os negócios do setor será mais uma edição da Fenatran. O maior encontro do setor de transporte de cargas da América Latina é excelente oportunidade para estreitar os laços de parcerias ou mesmo para iniciar novos negócios. Vemos no horizonte finalmente o enfrentamento por parte do governo central das principais mazelas que atrasam o Brasil. Esperamos que ao longo de 2017 possamos contar com legislações mais modernas, simples e que permitam ao setor produtivo focar seus investimentos e estudos no que interessa: produzir e transportar as riquezas do País. Alcides Braga Presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, ANFIR Foto: Cesar Hamanaka
12 AAfter two consecutive years of downturn in business the first lights of recovery can be seen in 2017. ANFIR forecasts growth of 10% for this year. It may not seem much, given the successive falls, but we all know that while falls are fast, climbs are always slower. This growth perspective after two years of recession is not an exercise in optimism. It is based on the analysis of the situation in 2017, which suggests that it is not absurd to imagine a recovery. One of the signs that point to a better year is the coordination of economic policy. The country’s development is in firm hands which are averse to juggling and well-versed in getting the economy out of the doldrums. We can already see the return of confidence, even if , in practical terms, some business is slow to pick up. We now have better credit conditions, although we know well these costs have to fall a great deal yet. But with the positive outlook for inflation and the base rates, we believe that this will happen and, as a consequence, investments will be more predictable. We in the industry are doing our part. After reducing costs, we are looking to broaden our commercial horizons further. This vision resulted in the first agreement between ANFIR and Apex-Brasil and numerous contacts with companies in Chile, Colombia, Peru, and other Latin American countries. The creation of this relationship with Latin American partners will result in more business in 2017, bringing relief to our members who export. Another important fact that will certainly drive the sector is another edition of Fenatran. The largest trade show in Latin America’s cargo transport sector is an excellent opportunity to strengthen partnerships or even start new businesses. We can finally see on the horizon the government’s attempt to confront the main problems that are holding Brazil back. We hope in 2017 to see more modern and simpler legislation that allows the productive sector to focus its investments and efforts on what matters: producing and transporting the country’s wealth. Alcides Braga president of ANFIR PALAVRA DO PRESIDENTE A WORD FROM THE PRESIDENT | PALABRAS DEL PRESIDENTE First lights at the end of the tunnel
13 Luego de dos años consecutivos en los cuales se observó una caída en los negocios, las primeras luces de recuperación se podrán ver ya en el 2017. ANFIR estima para este año una retomada en las actividades de unos 10%. Puede parecer poco frente a la retracción acumulada, sin embargo, como ya se sabe, mientras que las caídas son rápidas las ascensiones son siempre más lentas. Dicha perspectiva de retomada después de dos años de un escenario tan adverso no se trata de un ejercicio de optimismo; está basado en el análisis del cuadro que tenemos en el 2017, el cual sugiere no ser absurdo imaginarnos el comienzo de una retomada. Una de las señales que apuntan en la dirección de un año mejor a los dos anteriores es la propia coordinación de la política económica. La conducción de las directrices para el desarrollo del país está en manos firmes, contrarias a malabarismos y más bien asentadas en la meta de sacar a la economía del marasmo. Ya se observa el regreso de la confianza, aunque en términos prácticos algunos negocios aún se demoren en concretar. Ya trabajamos con condiciones más realistas en el crédito, aunque sepamos, es verdad, que los costos tendrán que dar una buena marcha atrás. Pero con las perspectivas positivas de reducción de la inflación y de las tasas Selic y TJLP creemos que eso sucederá, y consecuentemente habrá mayor previsibilidad para las inversiones. Nosotros de la industria estamos haciendo nuestra parte. Luego de haber promovido diversos ajustes para adecuar los costos a la realidad, hemos tratado de abrir más nuestros horizontes comerciales. De esta visión, resultó el primer acuerdo sectorial de ANFIR con Apex-Brasil e innúmeros contactos con empresas de Chile, Colombia, Perú, entre otros países de América Latina. La creación de esta relación comercial con aliados latinoamericanos resultará en más negocios en el 2017, un alivio para las cajas de nuestros asociados con perfil exportador. Otro hecho importante que seguramente animará los negocios del sector será otra edición más de Fenatran. El encuentro más grande del sector de transporte de cargas de América Latina es una excelente oportunidad para estrechar alianzas - o incluso iniciar nuevos negocios. Vemos en el horizonte finalmente el enfrentamiento por parte del gobierno central de los principales padecimientos que atrasan a Brasil. Esperamos que a lo largo de 2017 podamos contar con legislaciones más modernas, sencillas y que permitan al sector productivo poder enfocar sus inversiones y estudios en lo que interesa: producir y transportar las riquezas del país. Alcides Braga presidente de ANFIR Las primeras luces al final del túnel
14 EDITORIAL FROM THE EDITORS | EDITORIAL O Brasil, definitivamente, é uma escola e tanto para quem empreende ou tem que gerir uma empresa, seja de que natureza for ou de qualquer tamanho. Nas gigantes multinacionais, não de hoje, é consenso que um executivo que comandou uma operação brasileira está sempre apto a driblar problemas de toda a ordem mundo afora. Não por outro motivo muitos vêem nesta gigantesca porção de terra o melhor trampolim para vôos mais altos nessas corporações, surgidas, na maioria dos casos, em países de economias estáveis. Só que a escola parece ter se tornado um curso de mestrado com as crises política e econômica difíceis de assimilar até mesmo por aqueles que trazem na bagagem a experiência da estagnação econômica e posterior hiperinflação dos anos 80. No setor de transporte então nem se fala. Quem sobreviveu aos últimos três anos seguidos de tombos do mercado interno pode ostentar, na parede do próprio escritório, o título de PhD em gestão de crise sem qualquer constrangimento. Bem ao contrário, o felizardo sabe que daqui para frente o aprendizado do passado recente pode ter mais valia. Afinal, confirmadas as avaliações das principais entidades ligadas ao negócio de transportes, o setor precisará de braços capacitados – e muitos –para voltar a acelerar no momento certo, que não deve tardar. Já há sinais importantes, palpáveis até, de que esse ponto de inflexão da curva do mercado pode estar ali no horizonte próximo, caso, de fato, o poder público encaminhe os movimentos que dele se espera. E o setor e seus dirigentes aguardam ansiosamente por esse tiro de relargada. Os editores Prontos para a relargada © Hypermania37 | Dreamstime.com®
15 Ready for re-launch Brazil is definitely a school - and then some - for businesspeople, no matter what area or what size. At multinational giants the consensus is that an executive who has run a Brazilian operation can manage problems of any type anywhere in the world. For no other reason do many see in this gigantic portion of land the best stepping stone for these corporations which, in most cases, are set up in countries with stable economies. But this school seems to have become a post-graduate course, with political and economic crises that are difficult to assimilate even for those who have first-hand experienced of the economic stagnation and subsequent hyperinflation of the 1980s. In the transportation sector, it is much worse. Those who have survived the last three years of collapse on the domestic market can claim a PhD in crisis management. The lessons learned in the recent past may indeed have added value. After all, if the forecasts by the main entities related to the transport business are confirmed, the industry will need skilled people - and lots of them - to pick up speed again at the right time, which should not be long. There are now important, palpable signs that this point of inflection on the curve may be on the horizon, if, in fact, the government can achieve what is expected of it. And the sector and its leaders are eagerly awaiting this re-launch. The editors ¡Una vez más, listos! Brasil es en definitiva una escuela y tanto para quienes emprenden o tienen que dirigir una empresa, ya sea de cualquier naturaleza o tamaño. En las gigantes multinacionales, desde hace tiempo, es un consenso que un ejecutivo que haya comandado una operación brasileña está siempre apto a fintar problemas de toda orden por el mundo. Por ninguna otra razón es que muchos ven en este gigantesco pedazo de tierra el mejor trampolín para vuelos más altos en esas corporaciones surgidas - en la mayoría de los casos - en países de economías estables. Sin embargo, la escuela parece haberse convertido en un curso de maestría, con las crisis política y económica difíciles de asimilar aún por aquellos que traen en su equipaje la experiencia del estancamiento económico y la posterior inflación de los ochentas. Ni que decirlo del sector de transporte. Quienes sobrevivieron a los últimos tres años - seguidos de tropiezos del mercado interno – pueden ostentar en la pared de sus propias oficinas el título de PhD en gestión de crisis, absolutamente sin ninguna timidez. Muy por lo contrario, los afortunados saben que de ahora en adelante el aprendizaje del pasado reciente puede ser más útil. Al fin, confirmadas las evaluaciones de los principales entes ligados al negocio de transportes, el sector necesitará brazos capacitados – y muchos – para volver a acelerar en el momento correcto, lo que no debe tardar. Ya hay señales importantes, incluso palpables, de que ese punto de inflexión de la curva del mercado pueda estar allí en el horizonte próximo; dicho sea de paso, el poder público debe encaminar los movimientos que se esperan de él. Y el sector y sus dirigentes esperan ansiosamente por el pistoletazo de una nueva salida. Los editores © Orla | Dreamstime.com®
18 CONJUNTURA THE BUSINESS | CONTEXTO ECONÓMICO Pequenos passos a
19 Principais lideranças do setor entendem que 2017 registrará ligeiro crescimento nos negócios e será ponto de partida para recuperação gradual da indústria do transporte iante © Mindrift | © Peshkov | Dreamstime.com®
20 Não há no horizonte próximo motivos para rojões ou estouros de champanhe nem por outro lado razão para pessimismo maior do que já tomou conta do setor de transportes nos últimos três anos. O Brasil, avaliam executivos e dirigentes das principais entidades ligadas ao segmento, deve ter um 2017 bem menos complicado do que os anos anteriores, mas ainda sem a recuperação mais vigorosa que possa aplacar as perdas geradas por sucessivas quedas do mercado interno nesse período. Não são poucas as interrogações que ainda cercam as planilhas dos empresários. O cenário político-econômico segue como empecilho de maior preponderância a tumultuar os planejamentos das entidades e fazê-las apenas a acreditar em ligeira elevação no fluxo dos negócios ainda no transcorrer do segundo semestre de 2017 e de forma mais perceptível somente a partir do começo de 2018. A recuperação das vendas internas será um processo paulatino e a volta a patamares pré-crise é ainda algo pouco imaginado para este fim de década. Alcides Braga, presidente da ANFIR, Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, por exemplo, entende que o mercado de implementos atravessará um ano difícil, mas não tanto quanto nos últimos dois anos. “Toda a retomada de atividade econômica é lenta e o retrospecto de desempenho do setor desde 2015 revela bem a realidade difícil em que nos encontramos”, pondera Braga, recordando que em 2015 os emplacamentos recuaram 44,76% sobre o total de 2014, quando foram negociados 159.870 produtos, e em 2016, com somente 61.996 unidades, voltaram a cair 29,8%. A indústria de implementos rodoviários, assim, viu suas vendas encolherem mais de dois terços desde 2014. Um dos terríveis efeitos desse cenário foi a redução drástica também do quadro de trabalhadores. “Perdemos 30% de nosso maior patrimônio, que é a mão de obra qualificada e treinada.” A queda foi generalizada em todos os negócios. Dos quinze segmentos analisados pela ANFIR para reboques e semirreboques e dos sete pesquisados para carroceria sobre chassi, somente o canavieiro, entre os pesados, apresentou índice positivo ao final do ano, com variação de 31,58%. O agravamento das crises política e econômica, com consequente queda da confiança do consumidor, aumento do nível de desemprego, desaceleração da atividade econômica e por fim novo recuo do PIB de 3,6% em 2016, anulou CONJUNTURA | THE BUSINESS | CONTEXTO ECONÓMICO Alcides Braga ANFIR © Cesar Hamanaka | ANFIR
21 qualquer bom sinal que pudesse ser gerado por um ou outro setor, como o agronegócio. Braga recorda que nem mesmo mecanismos importantes como a linha de financiamento do BNDES destinada aos setores produtores de bens de capital, o Finame, ajudou. No ano passado as operações pela modalidade representaram custo anual do dinheiro de até 18%. A equação praticada estipulava duas faixas de juros em um mesmo financiamento. A primeira incidia sobre 50% e 60% do financiamento, respectivamente para grandes e PME - Pequenas e Médias Empresas. Já a segunda era aplicada até o teto de 90%, mas calculada com base em vários índices. “Essa equação complexa acabou por encarecer em demasia as operações de crédito. A ANFIR defendeu ao longo do ano a adoção de uma nova regra, mais simples e de custo final menor, o que teria minimizado os efeitos perversos da crise sobre o setor.” Recuperação modesta Alcides Braga, contudo, projeta crescimento do mercado interno de implementos em 2017. Algo como 10% sobre os números de 2016. Lembra, porém, que a base comparativa é baixa e, enfatiza, “na prática, esse avanço é uma recuperação modesta diante das perdas acumuladas pelos fabricantes de implementos rodoviários”. O que pode motivar essa ligeira melhora, no entender de Braga, é a esperada estabilização da economia, com PIB voltando a ter variação positiva, o encaminhamento de novos projetos de infraestrutura, além da safra recorde, dentre outros. Antonio Megale, presidente da Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, compartilha da visão de Braga com relação à volta do crescimento das vendas em um ritmo ainda lento. Projeta 10% para 2017 e enumera alguns fatores para isso: queda das taxas de juros, inflação próxima ao centro da meta, safra recorde de grãos e PIB crescendo pouco no ano, perto de 0,5%, mas crescendo. Mas para o presidente da Anfavea um quadro mais favorável e sustentável do setor depende de ações governamentais com reflexos mais duradouros: “O crescimento da economia tem que se dar não pelo consumo, mas por meio de grandes investimentos. Até porque o nível de desemprego continua elevado e a confiança do consumidor não retornou a um índice satisfatório”. Para isso, afirma o executivo, o governo teria que colocar em prática ao menos parte do que já anunciou: “Precisamos das grandes concessões rapidamente. Seria uma oportunidade não só para o setor de transporte como para todo o País, pois envolvem estradas, grandes obras e portos, por exemplo. Está na hora desses planos saírem das apresentações e entrarem em prática. O Brasil já tem anúncios de projetos demais. Precisa começar a rodar”. A urgência exigida por Megale se justifica. O impacto na economia dessas obras demandaria alguns meses, seriam percebidos no transcorrer do segundo semestre ou de forma mais Antonio Megale Anfavea © João Luiz Oliveira - Tecnifoto | Anfavea
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24 CONJUNTURA | THE BUSINESS | CONTEXTO ECONÓMICO palpável no início de 2018. E os fabricantes de caminhões seguem às voltas com ociosidade média de espantosos 80% atingidos em 2016. Os números do primeiro bimestre de 2017 dão bem a dimensão do que as montadoras têm enfrentado. Os emplacamentos ficaram aquém de 5,6 mil unidades no período, o pior resultado desde 1993 e 32,8% abaixo do registrado nos dois primeiros meses de 2016. “Os transportadores ainda estão se valendo de veículos comprados nos últimos dois anos e que estavam parados no pátio”, justifica o presidente da Anfavea. José Antonio Fernandes Martins, presidente do Simefre, Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários, mostra-se um otimista moderado, após a recente elevação da nota de negativa para estável do Brasil pela agência de risco Moody’s, que justificou a mudança “pela convergência da inflação à meta, melhora da perspectiva fiscal e do ambiente institucional e números mais positivos da Petrobras”. “Nota-se uma melhora do índice de confiança dos empresários, e isso tende a mostrar uma leve e pequena tendência da retomada gradual do setor industrial e da atividade econômica como um todo”, diz Martins, ponderando, porém, que esse ambiente de recuperação ainda não surgiu no setor de transporte de carga e passageiros pelos números do primeiro bimestre de 2017. O presidente do Simefre recorda ainda que o elevado custo do dinheiro segue como inibidor dos negócios. “As taxas de juros do Finame, embora sejam de 9,5% ao ano, são fortemente impactadas pelos spreads dos agentes financeiros, alcançando absurdos 5% a 7% ou até mais. Isso resulta em taxa final de financiamento de 15% ou até 17% e não há tarifa para carga que possa cobrir custos tão elevados.” Ambiente mais favorável O quadro, contudo, poderá ficar mais favorável caso a taxa Selic mantenha a atual tendência de queda e chegue a algo abaixo de 10% no final do ano, também com a inflação confirmando a expectativa de permanecer por volta de 4,5%. Neste caso, diz o presidente do Simefre, começa a se desenhar um horizonte de juros mais adequados para aquisição dos equipamentos de transporte. “Não queremos criar um clima de otimismo irreal, mas a lógica nos leva a crer que a partir do segundo semestre, com as medidas econômicas que estão sendo colocadas em prática, deverá surgir um ambiente favorável para um crescimento ainda bastante lento, mas sustentável.” Embora aposte que o Brasil encerrará o ano com algum crescimento, Martins prefere não dar números ou porcentuais estimados para produção ou demanda. O cenário nacional ainda em transformação não permite formalizar quaisquer conjecturas, justifica. A corroborar com esse potencial cenário estão ainda o consistente crescimento do comércio exterior, das exportações de equipamentos de transporte da ordem de 10% e a José Antonio Fernandes Martins Simefre © SIMEFRE
25 própria frota circulante antiquada de veículos de carga e passageiros. Na avaliação de Martins, ela vem “envelhecendo de forma assustadora” e, naturalmente, carece de urgente recuperação. “Um país como o Brasil, com uma safra agrícola de 220 milhões de toneladas de grãos e que movimenta mais de 60 milhões de passageiros por dia no transporte público de vários modais, precisa ter equipamentos de transportes modernos. Se isso não acontecer, perde-se a mobilidade e as consequências serão extremamente graves e irreparáveis.” A supersafra, aliás, é vista por José Hélio Fernandes, presidente da NTC&Logística, por enquanto, como a melhor notícia para o setor de transporte brasileiro em 2017. “O agronegócio seguirá como o principal sustentáculo da nossa economia novamente”, diz o executivo, animado com notícias de uma boa safrinha também. Fernandes já tem a certeza de que o transporte brasileiro passará por um período menos complicado ao longo do ano. Segundo ele, 2015 e 2016 foram dois dos piores anos que já vivenciou no setor. “O PIB crescer 0,5%, como projeta o governo, está longe de ser ideal, mas demonstra alguma recuperação, embora seja um movimento incipiente. E maior atividade econômica, maior a movimentação de carga.” Inflação em queda e juros com tendência de declínio são apontados pelo presidente da NTC como outros dois fatores a ajudar no sentido do crescimento, ao lado das reformas e da manutenção do bom nível das exportações ainda que com a recente valorização do real e sua eventual manutenção até o fim do ano. “O Brasil pode produzir o que quiser de soja que sempre haverá comprador para qualquer quantidade no mundo.” Grandes obras ajudarão As aguardadas concessões de grandes obras não devem ter impacto econômico antes de 2018, no entender de Fernandes, que lamenta os graves problemas de infraestrutura. “Basta ver o estado que BR-163 e a quantidade de caminhões atolados nela. Mas mesmo que saiam algumas dessas grandes obras, há uma série de burocracias e entraves que adiarão os efeitos econômicos para o ano que vem.” A elevação da carga tributária é outro ponto que trabalhará contra uma retomada econômica mais vigorosa, afirma o presidente da NTC. “É um contrassenso elevar tributos no exato momento em que o País, que já tem uma das maiores cargas do mundo, precisa destravar sua economia.” Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, também considera que 2016 talvez tenha sido um dos mais difíceis períodos para a distribuição automotiva, com o agravamento das crises política, econômica e o baixo índice de confiança de investidores e consumidores. “2017 deverá ser melhor, ainda que os sinais de recuperação despontem, com maior ênfase, apenas no segundo semestre. O importante José Hélio Fernandes NTC&Logística © Christiane Ceneriva | NTC&Logística
26 CONJUNTURA | THE BUSINESS | CONTEXTO ECONÓMICO é que os indicadores nos favorecem”, pondera Assumpção, que cita ligeiro crescimento da economia da ordem de 1%, inflação dentro da meta e taxas de juros com tendência de queda. “A Selic deverá chegar a um dígito até o fim do ano.” O desemprego será o último indicador a arrefecer, enquanto o endividamento das famílias e a inadimplência deverão cair mais rapidamente. A produção industrial, assim, pode voltar a experimentar números positivos. “Aos poucos, com isso, haverá impulso da produção e comercialização de veículos. Uma expansão mais forte só mesmo em 2018.” Para o mercado de veículos de carga, em particular, Assumpção, alerta que muitas empresas de logística estão com os pátios ainda ocupados por unidades pouco utilizadas e adquiridas há dois ou três anos, com o financiamento subsidiado do BNDES. A volta do mercado de caminhões a patamares razoáveis exigirá crescimento mais significativo do PIB, que refletiria na maior oferta de frete. Essencial para isso será o setor agropecuário, cujo peso de 24% do PIB e o forte aumento de produção no ano terão impactos positivos para a economia. Ainda assim o presidente da Fenabrave estima que em 2017 o setor de transportes terá desempenho ligeiramente superior ao do ano passado, com as vendas de caminhões crescendo algo como 2,8%, as de ônibus 4,4% e no caso de implementos rodoviários até 7%, pouco abaixo do projetado por Alcides Braga, presidente da ANFIR. Alarico Assumpção Júnior Fenabrave © FENABRAVE © Skypixel | Dreamstime.com®
27 There are no reasons on the horizon for fireworks or champagne, nor for any more pessimism than has already struck the transport sector account in the last three years. Brazil, in the views of executives and leaders of the main entities in the sector, will have a much less complicated year in 2017 than previous years, but still without more vigorous recovery that could assuage the losses caused by successive slides in the domestic market in this period. There are more than a few questions that still haunt businesses’ accounts. The political-economic scenario is still the biggest hindrance to plans and a belief in a slight improvement in business in the second half of 2017, and a more noticeable improvement only from early 2018. A domestic recovery will be a gradual process and a return to pre-crisis levels is still unlikely. Alcides Braga, president of the National Association of Road Equipment Manufacturers (ANFIR), believes that truck implement and accessory market will have a difficult year, but it will not be as bad in the last two years. “Every economic recovery is slow and the sector’s performance since 2015 is a clear reminded of the harsh reality we are faced by,” says Braga, recalling that in 2015 the new vehicle registrations fell by 44.76% on 2014, when 159,870 products were sold followed by only 61,996 units in 2016, a further collapse of 29.8%. The highway equipment industry has thus seen its sales shrink more than two-thirds since 2014. One of the terrible effects of this scenario has been a drastic increase in unemployment. “We have lost 30% of our greatest asset, which is skilled workers,” says Braga. The decline has been widespread across all businesses. Of the fifteen segments analyzed by ANFIR for trailers and semitrailers and the seven surveyed for bodies on chassis, only sales of sugarcane trucks, among heavy vehicles, grew at the end of the year, up by 31.58%. The worsening political and economic crisis, with the consequent fall in consumer confidence, rising unemployment rate, slowing economic activity and, finally, a further decline in GDP, of 3.6% in 2016, nullified any good signs that could be gleaned by any other sector, such as agribusiness. Braga recalls that not even important mechanisms such as the credit line from Brazil’s state-owned development bank, BNDES, for sectors producing capital goods has helped. Last year such credit operations represented an annual borrowing cost of up to 18%. The equation stipulated two interest rates in the same financing. The first was on 50% and 60% of the finance, respectively, for large enterprises and for small and medium enterprises. The second was applied to a 90% ceiling, but based on various indices. Key industry leaders believe that 2017 will be a year of slight growth in business and will a starting point for gradual recovery in the transport industry Small steps forwards © Skypixel | Dreamstime.com®
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30 “This complex equation eventually made credit too expensive. ANFIR defended throughout the year the adoption of a new, simpler and cheaper rule which would have minimized the adverse effects of the crisis on the sector,” says Braga. Modest recovery Braga does, however, forecast growth in domestic highway implements in 2017 of around 10% on 2016. He remembers, however, that the comparative base is low and emphasizes that in practice this growth is a modest recovery in the face of the losses suffered by the sector. What might spark this slight improvement, says Braga, is the expected stabilization of the economy, with GDP returning to growth, new infrastructure projects, and a record harvest, among other factors. Antonio Megale, president of the National Association of Automobile Manufacturers (Anfavea), shares Braga’s vision with respect to the recovery of sales at an even slower pace. He forecasts 10% for 2017 and lists some factors for this: lower interest rates, inflation close to the middle target, a record grain harvest, and GDP growing slightly in the year, close to 0.5% - but growing. But for the president of Anfavea a more favorable and sustainable scenario depends on government actions with longer lasting consequences, “Economic growth has to be created not by consumption, but through large investments. Unemployment is high and consumer confidence has not returned to a satisfactory level,” he says. This is why, says the executive, the government must put into practice at least some of what it has promised: “We need major concessions quickly. It would be an opportunity not only for the transport sector and for the whole country, as it involves roads, major works and ports, for example. It’s time these plans were put into practice. Brazil has announced too many plans. It needs to get going,” he says. The urgency Megale calls for is justified. The impact on the economy of these works would require a few months and would be noticed in the course of the second half of the year or more palpably in early 2018.Meanwhile truck manufacturers continue to report average idle capacity of a staggering 80% since 2016. The figures for the first two months of 2017 illustrate the scale of the problem assemblers have faced. Vehicle registrations were fewer than 5.6 million units in the period, the worst result since 1993 and 32.8% down on the first two months of 2016. “Carriers are still using vehicles purchased in the last two years and which have been idle,” explains the president of Anfavea. José Antonio Fernandes Martins, president of the Interstate Railroad and Highway Materials and Equipment Association (Simefre), is moderately upbeat after the recent raising from ‘negative’ to ‘stable’ for Brazil rating by Moody’s, which justified the change by inflation closing in on its target, an improved fiscal and institutional environment and more positive numbers from Petrobras. “There has been an improvement in confidence among businesspeople and this suggests a slight and gradual recovery in the industrial sector and economic activity as a whole,” says Martins, who nonetheless says this recovery has not been seen in the freight and passenger transport industry in the first quarter of 2017. The President of the SIMEFRE also notes that the high cost of borrowing is still an inhibitor. “Finame interest rates, at 9.5% per year, are strongly impacted by the spreads of financial agents, reaching an absurd 5% to 7%, or even more. This results in final rate of up to 17% and there is no cargo rate that can cover such high costs,” he says. A more favorable environment The situation, however, could become more favorable if the base rate (SELIC) keeps on falling, to something below 10% at the end of the year, with inflation also being around 4.5%.In this case, says Martins, more reasonable interest rates would be possible on borrowing for the purchase of transport equipment. CONJUNTURA | THE BUSINESS | CONTEXTO ECONÓMICO © Arztsamui | Dreamstime.com®
31 “We don’t want to create an unreal climate of optimism, but logic leads us to believe that as of the second half of 2017, with the economic measures being put in place, a more favorable environment for growth - still very slow, but sustainable - should arise,” he says. Although he is betting that Brazil will end the year with some growth, Martins prefers not to forecast figures or percentages for production or demand. The situation in Brazil is still one of transformation that does not allow any guesswork, he says. In support to this potential are consistent growth in foreign trade, exports of transport equipment up by 10% and the outdated fleet of cargo and passenger vehicles in the country which Martins says need replacing urgently. “A country like Brazil, with a harvest of 220 million tons of grain and which moves more than 60 million passengers a day on public transport in various modes, needs modern transportation equipment. If not, you lose mobility and the consequences will be extremely serious and irreparable,” he observes. The bumper harvest is seen by José Hélio Fernandes, president of NTC&Logística, for now, as the best news for the Brazilian transport sector in 2017.”Agribusiness will still be the backbone of our economy,” says the executive, excited by news of a good winter harvest, as well. Fernandes has no doubt that Brazilian transport will suffer less as the year goes on. He says hat 2015 and 2016 were two of the worst years ever experienced in the industry. “GDP growth of 0.5%, as projected by the government, which is far from ideal, but it shows some recovery, albeit incipient. And increased economic activity means increased cargo,” he says. Falling inflation and interest rates are identified by Fernandes as two other factors that will help growth, alongside reforms and continued healthy levels of exports, even though the recent appreciation of the Brazilian real (R$) does not help and looks to remain until the end of the year. “Brazil can produce whatever amount of soybeans it wants to and there will always be buyers,” he says. Major projects will help The anticipated awards of major concession should not have an economic impact before 2018, according to Fernandes, who laments the serious infrastructure problems in Brazil. “Suffice to see the state of Highway BR163 and the number of trucks stuck on it. But even if some of these major projects begin, there is a lot of red tape and obstacles that will delay the economic effects until next year,” he says. An increased tax burden is another challenge to a more vigorous economic recovery, says Fernandes. “It makes no sense to raise taxes at the exact moment that the country, which already has one of the highest tax burdens in the world, needs to get the economy going.” Alaric Assumpção Júnior, president of the National Federation of Motor Vehicle Distributors (FENABRAVE), also believes that 2016 may have been one of the hardest years for automotive distribution, with the worsening of political and economic crisis and low investor and consumer confidence. “2017 should be better, although the signs of recovery are disappointing, with more hope only in the second half. The important thing is that the indicators are favorable,” says Assumpção, citing economic growth of 1%, inflation within the target and sliding interest rates. “The base rate is expected to reach single digits by the end of the year,” he says. Unemployment will be the last indicator to improve, while household debt and default are expected to improve faster. Industrial output should then improve. “Gradually, vehicle production and sales will improve. More significant growth will only come in 2018,” he adds. For the cargo vehicle market, in particular, Assumpção warns that a lot of logistics companies’s yards are full of underused units or those which were acquired two or three years ago, financed by the BNDES. The truck market’s return to reasonable sales levels will require more significant GDP growth, to improve the demand for transport. The agricultural sector, which accounts for 24% of GDP, is central to this. Assumpção says the transport sector will have a slightly better year in 2017, with truck sales growing by around 2.8%, bus sales up by 4.4% and highway implements up by 7%, slightly below the forecasts made by Alcides Braga, president of the ANFIR.
32 CONJUNTURA | THE BUSINESS | CONTEXTO ECONÓMICO No hay en el horizonte cercano motivos para soltar cuetes o abrir champán, pero tampoco razones para un pesimismo mayor del que ya dominó el sector de transportes durante los últimos tres años. Brasil – según evalúan ejecutivos y dirigentes de las principales entidades conectadas al segmento – debe tener un 2017 mucho menos complicado que los años anteriores, pero aún sin una recuperación más vigorosa capaz de apaciguar las pérdidas generadas por las sucesivas caídas del mercado interno en ese periodo. No son pocas las interrogaciones que todavía rondan las planillas de los empresarios. El escenario político-económico sigue siendo el obstáculo de mayor preponderancia a causar tumulto en la planificación de las entidades, haciéndolas creer apenas en una ligera elevación en el flujo de los negocios para el segundo semestre de 2017, y de forma más perceptible recién a partir de comienzos del 2018. La recuperación de las ventas internas será un proceso paulatino, y el regreso a los niveles pre-crisis es algo aun poco imaginado para este fin de década. Alcides Braga, presidente de ANFIR – Asociación Nacional de los Fabricantes de Implementos Viales, por ejemplo, entiende que el mercado de implementos atravesará un año difícil, pero no tanto como lo fueron los dos últimos años. “Toda la retomada de actividad económica es lenta, y la retrospectiva de desempeño del sector desde 2015 revela bien la realidad difícil en la que nos encontramos”, pondera Braga recordando que en 2015 las licencias vehiculares retrocedieron en 44,76% sobre el total de 2014 - cuando fueron negociados 159.870 productos – y en 2016 – con tan solo 61.996 unidades, volviendo a caer en 29,8%. De esa manera, la industria de implementos viales vio que sus ventas se redujeron más de dos tercios desde 2014. Uno de los terribles efectos de este escenario fue la reducción drástica también del cuadro de trabajadores. “Perdimos el 30% de nuestro mayor patrimonio, la mano de obra cualificada y capacitada.” La caída fue generalizada en todos los negocios. De los quince segmentos analizados por ANFIR para remolques y semirremolques y de los siete encuestados para carrocería sobre chasis, solamente el cañaveral – entre los Pesados – presentó índice positivo al final del año, con variación de 31,58%. El empeoramiento de las crisis económica y política - con la consecuente caída en la confianza del consumidor, aumento del nivel de desempleo, ralentización de la actividad económica y, por fin, nueva marcha atrás del PIB en 3,6% en el 2016 – anuló cualquier buena señal que se pudiese generar por uno u otro sector, como la agroindustria. Braga recuerda que ni siquiera mecanismos importantes como la línea de financiación del BNDES destinada a los sectores productores de bienes de capital, el Finame, ayudó. El año pasado las operaciones por la modalidad representaron un costo anual del dinero de hasta 18%. La ecuación practicada estipulaba dos rangos de intereses en una misma financiación. El primero incidía sobre 50% y 60% de la financiación, respectivamente para grandes y PME - Empresas Pequeñas y Medianas. Ya la segunda era aplicada hasta el tope de 90%, pero calculada con base en varios índices. “Esa ecuación compleja acabó encareciendo demasiado las operaciones de crédito. ANFIR defendió a lo largo del año la adopción de una nueva regla, más sencilla y de menor costo, lo que habría minimizado los efectos perversos de la crisis sobre el sector.” La modesta recuperación Alcides Braga, no obstante, proyecta crecimiento para el mercado interno de implementos en 2017. Algo como 10% sobre los números de 2016. Pero recuerda que la base comparativa es baja, y hace hincapié: “en la práctica, este avance es una recuperación modesta delante de las pérdidas acumuladas por los fabricantes de implementos viales”. Lo que puede motivar esa ligera mejora, al parecer de Braga, es la esperada estabilización de la economía – con el PIB volviendo a tener variación posiPrincipales líderes del sector entienden que el 2017 registrará ligero crecimiento en los negocios y será punto de salida para la recuperación gradual de la industria del transporte Pequeños pasos adelante
33 tiva, el encaminamiento de nuevos proyectos de infraestructura, aparte de una producción récord, entre otros factores. Antonio Megale, presidente de Anfavea, Asociación Nacional de los Fabricantes de Vehículos Automotores, comparte la visión de Braga con respecto al retorno del crecimiento de las ventas en un ritmo aun lento. Proyecta 10% para el 2017 y relaciona algunos factores para ello: caída en las tasas de intereses, inflación cercana al centro de la meta, producción récord de granos y PIB creciendo poco en el año – como 0,5%, pero creciendo. Pero, para el presidente de Anfavea, un cuadro más favorable y sostenible del sector depende de acciones gubernamentales con reflejos más duraderos: “El crecimiento de la economía tiene que darse no por el consumo, pero más bien a través de grandes inversiones. Incluso porque el nivel de desempleo sigue elevado y la confianza del consumidor no ha vuelto a un nivel satisfactorio”. Para eso, afirma el ejecutivo, el gobierno tendría que poner en práctica al menos una parte de lo que ya anunció: “Necesitamos a las grandes concesiones rápidamente. Esto sería una oportunidad no solamente para el sector de transporte, pero también para todo el país, ya que acarrea carreteras, grandes obras y puertos, por ejemplo. Es la hora de que estos planes salgan de las presentaciones y se vuelvan realidad. Brasil ya tiene demasiados anuncios de proyectos. Tiene que empezar a caminar”. La urgencia exigida por Megale se justifica. El impacto en la economía de esas obras demandaría algunos meses, sería percibida en el transcurso del segundo semestre, o de forma más palpable en comienzos del 2018. Mientras que los fabricantes de camiones siguen dando vueltas con una ociosidad media de espantosos 80% alcanzados en el 2016. Los números del primer bimestre de 2017 muestran bien la dimensión de lo que fabricantes de vehículos han estado enfrentando. Las licencias vehiculares quedaron por debajo de las 5,6 mil unidades en el periodo, el peor resultado desde 1993, y 32,8% debajo de lo registrado en los dos primeros meses de 2016. “Los transportadores aún se están valiendo de vehículos comprados en los últimos dos años y que se encontraban parados en el patio”, justifica el presidente de Anfavea. José Antonio Fernandes Martins, presidente de Simefre - Sindicato Interestatal de la Industria de Materiales y Equipos Ferroviarios y Viales, se muestra un optimista moderado luego de la reciente elevación de la nota de negativa para estable de Brasil por la agencia de riesgo Moody’s, la cual justificó el cambio “por la convergencia de la inflación a la meta, mejora de la perspectiva fiscal y del ambiente institucional, y números más positivos de Petrobras”. “Se nota una mejora del índice de confianza de los empresarios, lo que tiende a mostrar una ligera y pequeña tendencia hacia la retomada gradual del sector industrial y de la actividad económica como un todo”, dice Martins ponderando, sin embargo, que ese ambiente de recuperación todavía no surgió en el sector de transporte de carga y pasajeros, dados los números del primer bimestre de 2017. El presidente de Simefre recuerda también que el elevado costo del dinero sigue como un inhibidor de los negocios. “Las tasas de intereses de Finame, aunque sean de 9,5% al año, son fuertemente impactadas por los spreads de los agentes financieros, alcanzando absurdos 5% a 7% o quizá más que eso. Eso resulta en una tasa final de financiación de 15% o hasta 17%, y no hay tarifa para carga que pueda cubrir costos tan elevados.” Entorno más favorable sin embargo, el escenario podrá volverse más favorable si la tasa Selic mantiene su tendencia actual de caída llegando por debajo de los 10% a fin de año, y también si la inflación confirma la expectativa de permanecer en aproximadamente 4,5%. En ese caso, dice el presidente de Simefre, se empezaría a diseñar un horizonte de intereses más adecuado para la adquisición de equipos de transporte.
34 “No queremos crear un ambiente de optimismo irreal, pero la lógica nos lleva a creer que a partir del segundo semestre – con las medidas económicas que están siendo puestas en práctica – deberá surgir un ambiente favorable para un crecimiento aún bastante lento, pero sostenible.” Si bien Martins apuesta en que Brasil terminará el año con algún crecimiento, él prefiere no dar números o porcentajes para la producción o demanda: el escenario nacional aún en transformación no permite formalizar cualquier conjetura, justifica. Corroborando este potencial escenario encontramos también el consistente crecimiento del comercio exterior, de las exportaciones de equipos de unos 10% y la propia flota circulante anticuada de vehículos de carga y pasajeros – la cual, en la evaluación de Martins, viene “envejeciendo de forma asustadora” y naturalmente carece de urgente recuperación. “Un país como Brasil, con una producción agrícola de 220 millones de toneladas de granos y que mueve más de 60 millones de pasajeros por día en el transporte público de varios modales, necesita tener equipos de transporte modernos. Si esto no sucede, se pierde la movilidad y las consecuencias pueden ser extremamente graves e irreparables.” La súper producción, incluso, es vista por José Hélio Fernandes, presidente de NTC&Logística, por ahora como la mejor noticia para el sector de transporte brasileño en el 2017. “El agronegocio seguirá como el principal sustentáculo de nuestra economía nuevamente” – dice el ejecutivo - animado con noticias de una buena producción también. Fernandes ya tiene la certeza de que el transporte brasileño pasará por un período menos complicado a lo largo del año. Según él, 2015 y 2016 fueron dos de los peores años que ya vivió en el sector. “Que el PIB crezca 0,5% - como proyecta el gobierno - está lejos de ser ideal, pero demuestra alguna recuperación, aunque sea un movimiento incipiente. Y cuanto mayor la actividad económica, mayor es el movimiento de carga.” Inflación en baja e intereses con tendencia al descenso son señalados por el presidente de NTC como otros dos factores que pueden ayudar el crecimiento, al lado de las reformas y del mantenimiento del buen nivel de las exportaciones, aún con la reciente valorización del real y su eventual mantenimiento hasta el final del año. “Brasil puede producir lo que quiera de soya, siempre habrá comprador para cualquier cantidad en el mundo.” Las grandes obras ayudarán en el entender de Fernandes - quien lamenta los graves problemas de infraestructura - las esperadas concesiones de grandes obras no deben tener impacto económico antes del 2018. “Bastar ver como se encuentra la BR-163 y la cantidad de camiones atascados allí. Pero, aunque se concreten algunas de esas grandes obras, hay mucha burocracia y obstáculos que pospondrán los efectos económicos para el próximo año.” La elevación de la carga tributaria es otro punto que trabajará en contra de una retomada económica más vigorosa, afirma el presidente de NTC. “Es una contradicción elevar tributos en el exacto momento en el cual el país, que ya tiene una de las más grandes cargas del mundo, necesita desbloquear su economía.” Alarico Assumpção Júnior, presidente de Fenabrave – Federación Nacional de Distribución de Vehículos Automotrices, también considera que el 2016 quizá haya sido uno de los más difíciles para la distribución automotriz con el empeoramiento de las crisis políticas, económicas y el bajo índice de confianza de inversionistas y consumidores. “2017 deberá ser mejor, aunque las señales de recuperación surjan con mayor énfasis apenas en el segundo semestre. Lo importante es que los indicadores nos favorezcan”, pondera Assumpção, quien cita un ligero crecimiento de la economía en 1%, inflación dentro de la meta y tasas de intereses con tendencia al descenso. “La tasa Selic deberá llegar a un dígito hasta el final del año.” El desempleo será el último indicador a enfriarse, mientras que el endeudamiento de las familias y el incumplimiento de pago deberán caer más rápidamente. De esa manera, la producción industrial puede volver a experimentar números positivos. “Con eso, poco a poco habrá un impulso de la producción y de la comercialización de vehículos. Una expansión más fuerte, solamente en el 2018.” Para el mercado de vehículos de carga, en particular, Assumpção alerta que muchas empresas de logística todavía están con los patios ocupados por unidades poco utilizadas y adquiridas hace dos o tres años, con la financiación subsidiada del BNDES. El retorno del mercado de camiones a niveles razonables exigirá un crecimiento más significativo del PIB, lo que se reflejaría en la mayor oferta de transporte. Esencial para ello será el sector agropecuario, cuyo peso de 24% del PIB y el fuerte aumento de producción en el año tendrán impactos positivos para la economía. Aun así, el presidente de Fenabrave estima que en 2017 el sector de transportes tendrá un desempeño ligeramente superior al del año pasado, con las ventas de camiones creciendo algo como 2,8%, las de autobuses 4,4%, y en el caso de implementos viales hasta 7%, un poco más bajo de lo proyectado por Alcides Braga, presidente de ANFIR. CONJUNTURA | THE BUSINESS | CONTEXTO ECONÓMICO
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